O que a saída de Hugo Barra da Xiaomi significa para a marca no Brasil

Hugo Barra, o cara responsável por expandir a atuação da chinesa Xiaomi, anunciou nesta segunda-feira (23) que está saindo da companhia. Em um post publicado em seu Facebook, Barra anunciou que irá deixar o cargo de vice-presidente de operações globais na Xiaomi para "embarcar em uma nova aventura" no Vale do Silício.



Quando chegou à Xiaomi, o objetivo de Barra era tornar a companhia global. Ele ajudou a empresa a atingir mercados emergentes importantes, incluindo Indonésia, Filipinas, Taiwan e Índia. Os mercados asiáticos mostraram boa recepção, mas apenas a Índia se destacou; por lá, inclusive, a empresa é uma das líderes de mercado e no ano passado atingiu US$ 1 bilhão em vendas. Barra também trouxe a companhia para o Brasil, o primeiro mercado fora da Ásia, mas as operações foram turbulentas.

Xiang Wang, vice-presidente sênior na empresa desde 2015, assume o posto. Essa dança das cadeiras na Xiaomi tem a ver com uma mudança de foco nos objetivos da empresa, como aponta a Bloomberg. Analistas indicam que eles precisam voltar a atuar com mais força no mercado local para não serem abocanhados pelas concorrentes. 

"A Xiaomi percebeu que o mercado de smartphones na China precisa ser sua principal prioridade", disse Nicole Peng, analista da Canalys. "A Índia é o único local onde a empresa teve sucesso em sua expansão durante esses anos". 

A startup chinesa teve um crescimento meteórico. Surgiu em 2010 e, em menos de quatro anos, foi avaliada em US$ 46 bilhões, aparecendo entre as cinco maiores fabricantes de smartphones do mundo. No entanto, desde 2016 as vendas estão caindo vertiginosamente e concorrentes locais como Oppo, Vivo e Huawei conseguiram tomar seu lugar com estratégias muito agressivas. 

Numa nota publicada no WeChat, o co-fundador Lei Jun disse que a "empresa tentou crescer muito rápido nos últimos anos e perdeu oportunidades". 

Prova disso foi o fracasso da Xiaomi no Brasil. Eles chegaram em 2015 com a proposta promissora de oferecer bons aparelhos por um preço acessível, mas acabaram encontrando uma série de obstáculos e saíram de fininho em 2016. 

O Redmi 2 foi lançado em julho de 2015 por R$ 499, um preço bastante agressivo para um smartphone com suas especificações. A estratégia de vendas exclusivas pelo site não saíram como esperado e aos poucos eles tentaram diversificar a atuação ao fechar parcerias com a operadora Vivo e com lojas do varejo. 

Apesar das tentativas, os resultados foram fracos. Uma reportagem do Manual do Usuário revelou que eram vendidos apenas 10 mil smartphones todos os meses, enquanto dados do IDC mostram que em 2015 a média de smartphones vendidos no Brasil foi de 3,9 milhões por mês. O Manual também apontou que a fábrica em Jundiaí (SP) tinha “cessado a produção há meses” e que a empresa pretendia deixar o país.

Já não é mais possível adquirir aparelhos pelo site oficial, são poucos os varejistas que ainda contam com unidades e as redes sociais da empresa não são atualizadas desde do último junho. O único canal da Xiaomi que permanece ativo no Brasil é o SAC, conforme aponta o TechTudo. Embora a linha funciona, não é possível comprar produtos ou falar com atendentes.

A empresa ainda não se pronunciou oficialmente, mas as evidências mostram que de fato encerraram a atuação no Brasil. Com a saída de Hugo Barra e a reorganização da estratégia global da companhia, dificilmente voltarão a vender por aqui, pelo menos pelos próximos meses.

 

@Alessandro Junior @Gizmodo

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